Caso Anderson: MP e polícia acusam Flordelis de ser a autora e de ter envenenado o marido

A polícia e o Ministério Público do Rio não tem dúvida: a deputada federal Flordelis (PSD-RJ) é a autora intelectual do crime envolvendo o pastor Anderson do Carmo, seu marido.

Segundo as investigações, o plano de executar Anderson aconteceu antes mesmo do dia do assassinato, ocorrido em junho de 2019. Um mês antes, um plano por envenenamento em doses por arsênico ou cianureto foi arquitetado. Entretanto, a ideia não teve o fechamento esperado.

Anderson só foi executado em 16 de junho, com 30 tiros na porta de sua casa. Na ocasião, Flordelis disse à polícia que havia sido um crime de latrocínio, assalto seguido de morte. A versão nunca foi confirmada pela polícia.

“Flordelis, além de arquitetar todo esse plano, financiou a compra dessa arma, convenceu pessoas a realizar esse crime, avisou sobre a chegada da vítima ao local e tentou ocultar provas. Não resta a menor dúvida de que ela foi a autora intelectual, a grande cabeça desse crime”, disse o delegado Allan Duarte.

Segundo as investigações, Flordelis afirmava entre os envolvidos que não poderia se separar de Anderson. “Quando ela fala com um dos filhos sobre os planos de matar Anderson, ela disse: ‘Fazer o quê? Se eu separar dele, vou escandalizar o nome de Deus”, contou o promotor Sérgio Luiz Lopes Pereira, do Grupo de Atuação Especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público.

Flordelis será acusada ainda de associação criminosa, elaborada para matar o pastor Anderson. “Uma associação criminosa que começou para matar por envenenamento, depois por arma de fogo, e por último para fraudar as investigações, com uso de contrainformações”, encerrou o promotor.

Flordelis não poderá ser presa, já que possui foro por conta da imunidade parlamentar. Nesta função, a parlamentar só poderia ser detida por um crime em flagrante.

A DEFESA FALA

A defesa de Flordelis, representada pelo advogado Anderson Rollemberg, disse que recebeu as acusações com surpresa.

“A defesa foi surpreendida com essas prisões preventivas das cinco filhas da deputada e da neta. Tomaremos conhecimento do que há de indícios para que essas prisões fossem feitas e para o indiciamento da deputada, já que na primeira fase da investigação, passou longe de qualquer prova que a apontasse como mandante”, afirmou Rollemberg.

“Ela é cantora gospel, líder religiosa e parlamentar federal. A questão dela sempre foi dar o melhor para os necessitados. Por isso tinha mais de 50 filhos. Na opinião da defesa, está havendo um grande equívoco no desfecho desta investigação”, completou o advogado.

Apesar de solta, Flordelis terá que entregar os passaportes, o comum e o diplomático. A deputada só poderá residir em Niterói ou em Brasília, onde atua politicamente. Ela também está impedida de ter contato com outros acusados no caso.

Cinco filhos do casal foram presos: Adriano, André, Carlos, Marzy e Simone. Rayane, neta de Flordelis, também foi presa. Dois filhos de Flordelis já estão presos desde 2019: Flavio e Marcos.

Mais um filho de Flordelis foi denunciado: Lucas, que é apontado como a figura que conseguiu a arma e que já havia sido preso. A operação do caso leva o seu nome: Lucas 12.

Imagem: Reprodução Internet