Glória Maria fala sobre a doença e o namoro que teve com herdeiro de Roberto Marinho

O fim de 2019 foi difícil para Glória Maria. A jornalista precisou se afastar às pressas do Globo Repórter para cuidar da saúde. Após uma refeição em sua casa, em novembro do ano passado, Gloria desmaiou e, ao chegar no hospital, descobriu que estava com um tumor na cabeça.

Em entrevista ao programa Conversa com Bial, exibida nesta segunda-feira (18), Gloria bateu papo com o apresentador através de videoconferência. Ela contou detalhes de como tem sido seus dias, após o diagnóstico. “Quando a gente tem uma dor desesperadora, não dá para a lágrima cair”, revelou.

“Um ano impensável. Realmente, me pegou de jeito. Na verdade, me pegou lá atrás, em novembro, quando descobri que eu tinha um tumor no cérebro. A imagem que eu tenho, não vou esquecer. Do nada, eu caí em casa depois de um jantar. Fui no hospital costurar a cabeça e me falaram: ‘Você está com um tumor no cérebro'”, contou.

Gloria revelou que acreditou que o exame que lhe entregaram poderia ter sido trocado. Apesar da difícil notícia, ela revela que não chorou e que não se desesperou. Entre os primeiros momentos do tratamento, Gloria Maria pediu que os médicos registrassem sua entrada em um tubo de ressonância.

“Eu fiz isso, Pedro, à noite, sem saber como é que isso ia terminar. Se eu ia sobreviver a isso, se eu ia escapar da rádio [radioterapia]. Mas, Graças à Deus, escapei mais uma vez. E já estou terminando a imunoterapia. Como? Não sei. Só Deus sabe”.

PERDA DA MÃE

Em fevereiro, em pleno tratamento, Gloria perdeu a mãe. A jornalista revelou que escondeu da mãe a doença, por conta da fragilidade da idade avançada. Com insuficiência respiratória, a matriarca foi levada a um hospital no Rio e morreu no meio do caminho.

“Tumor no cérebro, infecção pulmonar, a perda da minha mãe. Se eu não for agora, não vou nunca mais”, avaliou.

Gloria revelou que se emocionou com o carinho do amigo Pedro Bial durante o tratamento: “A única pessoa, que, realmente, me emocionou e me fez chorar, pro bem, de uma emoção boa, que eu desesperadamente precisava, foi você”, contou ao público.

NAMORO COM FILHO DE ROBERTO MARINHO

Durante a entrevista, Pedro Bial perguntou de uma cena contada no livro ‘Roberto Marinho: O Poder Está no Ar’, do jornalista Leonêncio Bossa. No texto, a edição conta de uma passagem constrangedora vivida por Gloria e o então namorado, José Roberto Marinho, no Country Club, local frequentado pela elite carioca.

“Uma coisa que eu nunca falei, levei um susto quando vi isso no livro, não sei como foi com o menino, mas com nós foi horrível. O clube inteiro olhando para aquela mesa, eu não sabia o que fazer, e não entendi direito ainda aquela maluquice que era camping, eu não entendia direito. E eu ‘José, vamos embora, todo mundo olhando para gente’. E eu não sabia se era só porque eu era negra ou se era também porque ele era filho do Roberto Marinho, mas foi um dos momentos mais ruins, mais desagradáveis da minha vida, aquela sensação, eu me sentia como um macaco no zoológico, todo mundo ali, esperando a hora de dar uma banana”, contou.

RACISMO

Questionada sobre o racismo no Brasil, Glória Maria acredita que o racismo não diminuiu no país:

“O Brasil está racista igual. A única diferença é que hoje as coisas ganham uma proporção maior, porque você tem outros meios. Nada mudou. A discriminação continua igualzinha. As coisas acham que hoje é pior. Não. Quem não gosta de preto, não gosta. Quem é racista é racista. Não adianta a Glória Maria apresentar o Jornal Nacional, o Globo Repórter, o Fantástico. Ela é negra? Tem que ser discriminada ou diminuída.
Porque as pessoas têm maneiras de exercitar esse racismo. Elas não percebem… Percebem, sim. Quem é racista, tem prazer em ser racista. Ele tem o prazer em diminuir o outro, seja da maneira que for. Eu quando comecei a apresentar as pessoas diziam ‘ah, ela está apresentando por causa do movimento negro’. Sempre tem uma justificativa para você está ali. Nunca é porque você tem talento. Nunca é porque você tem valor”.

“Quando você nasce negro. Eu não sou mulatinha, sou negra mesmo. Eu sou preta. Você aprende a reconhecer isso, a 30 km de distância, você sabe onde está um racista. Sem nenhuma dúvida”, revela.

Gloria ainda criticou a postura do movimento negro que, na sua visão, enxerga mais a visão individual do que coletiva.