Mesmo sem ser o decisor final, Bolsonaro volta a ameaçar concessão da TV Globo

Jair Bolsonaro voltou a fazer ameaças contra a TV Globo nesta quinta-feira (30). Irritado com a cobertura das crises (coronavírus e política) que tomaram conta do seu governo, o atual presidente voltou a insinuar que pode não renovar a concessão da emissora.

Mais uma vez, Bolsonaro parece não estar atento às regras que compõem a renovação de concessões feitas pelo governo. Além de não pertencer ao cargo que ocupa a decisão, a permissão da Globo só acaba em 2023.

A resposta se deu após a Globo mostrar Bolsonaro desdenhando da pergunta feita por um jornalista sobre o Brasil ter superado a China em pessoas mortas por Covid-19.

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, ignorou Bolsonaro na quarta-feira (29).

Antes de ameaçar a concessão, Bolsonaro atacou a Globo de “lixo”, como faz seus apoiadores incondicionais nas redes sociais e nas ruas do país contra repórteres.

“Essa imprensa lixo chamada de Globo. Ou melhor, lixo dá pra gente reciclar. Globo nem lixo é, que pode ser reciclado. Entrou o “e daí” e depois me insistiram a fazer perguntas idiotas. Eu acabei entrando na deles. Essa imprensa lixo, porcaria”, disse Bolsonaro, tentando sair pela tangente após a péssima repercussão da fala do dia anterior.

A CONCESSÃO

Na fala seguinte, o presidente voltou a ameaçar a concessão da TV Globo.

“Não vou dar dinheiro para vocês. Globo, não tem dinheiro para vocês. Em 2022… Não é ameaça não. Assim como faço para todo mundo, vai ter que estar direitinha a contabilidade, para você [TV Globo] possa ter a concessão renovada. Se não tiver tudo certo, não renovo nem a de vocês e nem a de ninguém”, falou.

O que Bolsonaro esqueceu de mencionar é que a concessão da Globo vence em abril de 2023 e que seu mandato vai até 2022. É verdade que, um ano antes, o presidente da República pode começar a apreciar o pedido de renovação. Só que a decisão final não cabe a este cargo.

A Câmara dos Deputados é quem dá a palavra final se uma emissora fica ou sai do ar, podendo, inclusive, derrubar uma não renovação presidencial. Para manter a decisão do executivo são necessários 2/5 dos votos (205 deputados).