Virou “Abacaxi”: Sem a marca garantida, Se Joga ganha sobrevida em janeiro

A faixa das 14h é, sem dúvida, a mais problemática da TV Globo. O ano de 2019 vai se encerrando e as movimentações propostas pela emissora neste horário não surtiram efeito nenhum.

Ou pior: decretaram que a situação nesse período está longe de ser resolvida. É verdade que este é um dos poucos problemas que a emissora tem para resolver quando o assunto é liderança na audiência.

Na tentativa de frear a Record TV, a Globo extinguiu o Vídeo Show. Foram dez meses na tentativa de estudar um produto que conseguisse barrar a concorrência.

O primeiro caminho escolhido foi puxar o Sessão da Tarde para as 14h. O efeito não surtiu como esperado e poucas vezes a Globo conseguiu bater o Balanço Geral. O segundo passo foi, então, apostar no mundo das celebridades. Em miúdos: fofoca.

Só que fazer fofocas dentro da TV Globo não é tarefa das mais fáceis. Além de “florear” a vida dos artistas, é preciso saber que, algumas vezes, é preciso contar o lado podre do saco de laranjas.

Ou alguém aí acha que a emissora vai entrar na cobertura da apreensão de policiais feitas ao ator Thiago Lacerda na última sexta-feira (20)?

O Se Joga foi criado numa clara inspiração ao Vídeo Show, sem o glamour da marca do seu sucessor e, tão pouco, sem dizer ao que veio. Uma miscelânea de “fofoquinhas do bem” com humor e jogos arrastados, que atrai pouquíssima gente.

De forma até inocente, pode-se dizer que a Globo esperava que só o talento de Fernanda Gentil fosse capaz de salvar a faixa. Erro fatal.

A verdade é que a atração fecha seu primeiro trimestre sem contar com uma crítica positiva dos grandes portais e com dois problemas na mão.

O primeiro, e mais grave, em uma briga de registro de marcas. O jornalista Alessandro Lo-Bianco, do A Tarde É Sua, revelou em primeira mão que o nome ‘Se Joga’ não está registrado oficialmente no nome da Globo.

Em contrapartida, Naldo Benny também entrou com um pedido para o termo Se Joga pertencer a sua pessoa. O cantor tem uma música chamada ‘Se Joga’ há mais de sete anos e, só agora, resolveu pedir o registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O segundo problema do Se Joga é seguir na grade da Globo em pleno janeiro. A atração terá um longo mês pela frente, onde, sabidamente, a audiência é menor por conta das férias de início de ano. Sem contar a grande quantidade de público infantil em casa durante o mês, o que favorece ao SBT, única emissora que ainda aposta com atrações dedicadas aos pequenos.

Criado com título de salvador da pátria, o Se Joga se tornou um abacaxi amargo na vida da TV Globo e com futuro incerto.

Imagem: Reprodução TV