Crítica: O trabalho primoroso de ‘Segunda Chamada’ merece mais que uma nova temporada

O fim da primeira temporada de Segunda Chamada nesta terça-feira (17) deixou um recado claro aos telespectadores. Apesar das dificuldades, a educação ainda é o melhor caminho para o futuro.

As dores do dia a dia, os problemas de uma sociedade que sofre com trabalho e falta de emprego e de oportunidades podem ser recompensandos com o esforço de quem sonha em fazer da lição escolar uma virada na vida.

Segunda Chamada mostrou características fortes e marcantes da periferia. Jovens e adultos esforçados, tentando correr atrás do tempo perdido e esperançosos em buscar dias melhores.

A série global apresentou ainda a truculência, algumas dentro de casa, os conflitos entre o amor e a ética, a inclusão de gênero, o racismo, o preconceito e o “pré-julgamento” de uma sociedade que define pelo rótulo, em vez do conteúdo.

O trabalho assinado por Carla Faour e Julia Spadaccini contou com a contribuição luxosa de grande elenco. Grande destaque para a história da Professora Lúcia, vivida por Débora Bloch. Entre os desafios de lecionar para o EJA (Educação de Jovens e Adultos), a personagem se divida entre a escola e a criação do filho Marcelo (Artur Volpi). Um show de realidade.

Os trabalhos de Paulo Gorgulho, Talita Carauta e Caio Blat também não podem ser esquecidos. O fechamento da primeira temporada com a citação de Paulo Freire só reforça a importância de sua figura:

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”

Paulo Freire.

A Globo confirmou a segunda temporada de Segunda Chamada. As gravações começam no início de 2020. Vida longa!

Imagem: Divulgação Globo