Crítica: Sucesso de público, A Dona do Pedaço termina com texto de teatro infantil

Uma coisa é inegável: A Dona do Pedaço é um sucesso. Um grande sucesso! O segredo do êxito é claro. Não é necessário fazer uma grande pesquisa para descobrir que a novela caiu no gosto popular. Basta checar os números de audiência, a repercussão nas ruas e nas redes sociais. Vai um bolinho, aí?!

Detectar os motivos que fizeram a novela de Walcyr Carrasco despontar também não é tarefa dura. Com a missão de resgatar a faixa das 21h, devastada pela confusa história de O Sétimo Guardião, a trama de Maria da Paz [Juliana Paes] apostou no cotidiano.

O povo se viu na TV. Histórias simples, detectadas no cotidiano, com tempero mexicano, idas e vindas, viradas e reviradas, mocinhos, vilãs e castigos para quem não prestava. O povo sentia falta disso.

Se por um lado, a simplicidade elevou o trabalho da novela, por outro deixou a desejar em alguns pontos. Especialmente nos textos. Alguns diálogos e motivações de conflitos entre os personagens eram sofríveis para quem apreciava minunciosamente a novela.

O texto do julgamento de Josiane [Agatha Moreira] que o diga. Quem conhece razoavelmente o judiciário sabe que aquele teatro é impossível de acontecer. Claro, sabemos que se trata de uma dramatização. Mas não basta ser inocente! Tem que parecer. E Jô, do alto da sua soberba, dava claros sinais de sua maldade.

Sem contar os assédios morais distribuídos entre advogado de defesa e promotoria, que chegavam a constranger quem assistia de casa. Como desrespeitar o caráter de alguém por ser garoto de programa? Ou então, como aceitar que um despeito por fim de relação pudesse ser um motivo para inventar um crime de assassinato com um picador de gelo?!

TEXTO INFANTIL

Paralelo a isso, os diálogos infantis entre parte do elenco. Toda vez que este site se depara com as motivações de Fabiana [Nathalia Dill] para justificar suas maldades e suas ações administrativas, a gente pensa: “foi essa a criatividade de Walcyr?”.

Mandar o funcionário carregar notebook de casa, trabalhar à luz de velas, mandar falsificar um recibo de doação – sim, ela podia dar qualquer tipo de presente! -, cortar o banho dos funcionários para uma empresa que conta com 22 lojas é uma loucura sem precedentes. Ainda houve tempo de proibir uma funcionária de trocar de roupa dentro da fábrica, só para não perder tempo de trabalho.

Todos os textos à base de picuinhas bobas e sem motivação. O telespectador se prende mais pela forma surreal e pitoresca. E a tal mãozinha do Eusébio [Marco Nanini]? Chega a ser patético, só isso justifica a vontade de rir.

Faltam mais cinco capítulos para o fim de A Dona do Pedaço. Alguns poucos personagens podem ser dar o desfrute de tirar pontos positivos. Agatha Moreira, Juliana Paes, Paola Oliveira [Vivi] e Glamour Garcia [Britney] têm motivos para comemorar.

Os demais devem erguer a cabeça, meter o pé e ir na fé. Deixar a tristeza ir embora. Podendo acreditar que um novo dia vai raiar e uma outra novela vai chegar.