Após dois anos de fora, Gelcio Cunha fala sobre a volta ao rádio. Agora, na Sul América Paradiso FM

Neste dia dos pais, o Audiência Carioca foi conversar com Gelcio Cunha. O papai de Jaqueline e Diego está fora do rádio desde 2017 e, agora, comemora um novo momento na carreira. Além do seu trabalho nas redes sociais, o radialista anuncia que está de volta ao veículo através da Sul América Paradiso FM (95,7 FM Rio).

Gelcio acertou, nesta última semana, sua participação no programa ‘Rio Na Palma da Mão’, e vai fazer parte da equipe encabeçada por Ernani Alves, da Record TV. A atração estreia no dia 26 de agosto no dial e vai ao ar do meio-dia às 14h.

Durante mais de três décadas na Rádio Globo, em duas delas, ao menos, Gelcio foi personagem fixo do Show do Antonio Carlos. Em um bate-papo franco, ele contou sobre o que vem por aí e de momentos importantes da carreira.

Eduardo Moura: Gelcio, como foi receber esse convite para retornar ao rádio, após dois anos afastado do veículo?

Gelcio Cunha: Já há algum tempo eu participo do programa ‘Sala de Visita’, do Fernando Sérgio, que ele faz no Youtube. O Fábio Antonio, que foi produtor do Haroldo de Andrade, me indicou para o Ernani Alves. Sou muito grato ao Fábio, que me deu essa oportunidade de voltar. Eu tinha vontade de montar um programa de rádio nas redes sociais. Acabei não fazendo e estou de volta ao rádio. Estou entusiasmado.


Eduardo Moura : O que o público pode esperar do Rio Na Palma da Mão e o que você fará na atração?

Gelcio Cunha: A minha participação não será muito grande. Será mais ou menos o que venho fazendo no aeroporto. Vou ter que mudar um pouco para adaptar ao rádio. Quando você fala em uma rádio já existente, as pessoas dão mais importância. As redes sociais têm sua importância, mas todo mundo faz.

Eduardo Moura: Você grava sempre no Santos Dumont, que onde ficam os estúdios da rádio…

Gelcio Cunha: Uma coisa facilitou tudo, foi o fato de eu estar no aeroporto. Ando um pouquinho e estou lá. Há um pouco mais de um ano atrás, eu fui lá conhecer a rádio e fiquei feliz demais. Eu vi uma redação com vários colegas trabalhando. Quando eu fui na Sul América segunda-feira passada, fui recebido com um carinho enorme. O próprio Ernani. Eu era amigo dele pelo Facebook há muito tempo e eu nem sabia. Sabia que antes mesmo do Wagner [Montes] morrer que ele fazia o programa [Cidade Alerta Rio]. Gostava de ver o Ernani, o achava um senhor apresentador. No rádio não lembrava dele. Me pareceu uma pessoa muito bacana.

A NOVA RÁDIO GLOBO

Eduardo Moura: Gelcio, você ficou 36 anos na Rádio Globo. Como você avalia este período?

Gelcio Cunha: Sem dúvida foi a casa que eu mais me orgulhei de trabalhar. Uma empresa séria, que nunca atrasou um dia o salário. Quando a gente fazia hora extra autorizada, eles pagavam. Tínhamos um 14º salário pela produtividade. Quando podia, até adiantava o salário. Sempre nos deu uma proteção, em relação a plano de saúde, vale alimentação… Nos primeiros vinte anos que trabalhei havia ótimos convênios. Não tenho nada a me queixar. Eu decidi não entrar na justiça contra a rádio, mesmo faltando um ano e dois meses para eu me aposentar. Faltavam dois meses para eu ter a estabilidade de aposentadoria. Tecnicamente eles tinham esse direito. Muita gente disse que eu deveria correr atrás, eu achei que não devia acionar.

Eduardo Moura : Como você enxerga atualmente essas tentativas de mudanças de público da Rádio Globo?

Gelcio Cunha: Achei que foi muito radical eles terminarem a programação da rádio da forma que foi feita. As coisas mudam, mas não precisa ser assim tão forte. Você imagina, de uma hora para a outra, a TV Globo encerrar as novelas e o Faustão? Não é assim. A Rádio Globo já havia feito outras transações, mas não tão bruscas.

Eduardo Moura : Como surgiu o Conexão com o Mundo, seu canal de entrevistas nas redes socais?

Gelcio Cunha: Quando houve o meu desligamento da Rádio Globo, da equipe toda do ‘Show Antonio Carlos’, e também com o encerramento do programa que eu apresentava, o ‘Acorda Brasil’, eu resolvi tirar do papel um projeto que eu já havia feito. Neste mesmo período eu tentei escrever um livro, cujo o título seria o ‘Início da Queda de Um Império’. Eu já vinha acompanhando muita coisa errada não só no rádio, mas também na televisão. Via muito desperdício, lá na própria Rádio Globo mesmo. Muita coisa errada. Doutor Roberto Marinho amarrou muito bem a Globo para que não acontecesse o mesmo com o que ocorreu com o Diários Associados. Só que eu só escrevi duas laudas do que eu pretendia que fosse um livro. A outra lauda foi o ‘Conexão com o Mundo’, que eu venho fazendo entrevistas em aeroportos do Rio.

MAIS DE DUAS DÉCADAS NO SHOW DO ANTONIO CARLOS

Eduardo Moura : Você recebeu outros convites para voltar ao rádio? Especialmente, houve alguma chamada para voltar ao Show do Antonio Carlos?

Gelcio Cunha: Nesse meio tempo recebi alguns convites para voltar ao rádio. A primeira foi no próprio ‘Show do Antonio Carlos’ e ele ficou chateado [com a recusa]. Quando o Antonio Carlos saiu [da Globo], eu, Toninho Bondade [sonoplasta], Renato Cantharino e Ermelinda Rita, todos funcionários de carteira assinada, não pudemos ir. Nós íamos perder o direito à indenização. Nós não podíamos perder dinheiro. Até porque a Tupi estava saindo de um período terrível, com dois meses de greve. Não sabíamos até que ponto deveríamos correr esse risco. Ainda mais que estou com mais de sessenta há cinco anos… [risos]. Ele [Antonio Carlos] ficou chateado, já que havia conseguido os anunciantes para pagar quem decidiu ir para a Tupi. Inclusive os principais nomes, que estão lá. Tenho filho especial, o Diego, que é muito amigo dele. O Antonio Carlos corresponde a amizade com muito carinho. Toda vez que meu filho esta aqui no Rio o Diego vai dois dias na semana e fica lá, com a equipe. Deixo meu filho lá. Na grande maioria das vezes não subo porque tenho compromissos, não posso pegar engarrafamento. No ano passado, Antonio Carlos me disse que a Karla de Lucas ia ser candidata [deputada estadual, em 2018] e me perguntou seu eu queria ir para ficar no lugar dela. Respondi: ‘ela vai ser candidata, mas vai voltar’. Ele [Antonio Carlos] me respondeu que não sabia, que era a forma que tinha de me trazer de volta e que nem ia dizer que é por conta da licença, até para não me desvalorizar. Achei bem legal esse lado. O que eu não sabia era que, para me contratar, teria que romper o contrato da Karla. Em um primeiro momento, achei legal o convite, mas depois conversei com a Karla por telefone e sei que ela precisava deste dinheiro. Ela também não tinha certeza que seria eleita. Aí disse não ao convite e Antonio Carlos ficou chateado de novo.

Eduardo Moura : E como é a relação com todo o pessoal que está lá hoje ao lado do Antonio Carlos?

Gelcio Cunha: A melhor possível. Me dou bem com todos eles. Os que eu trabalhava na Rádio Globo e de outros que trabalhei em outros setores, como o Gilson Ricardo. Eu gosto de todos e até os mais novos, que me tratam com muito carinho. Sempre que posso vou nas festas de Carnaval e no fim do ano e me tratam muito bem.

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