Sem patrocínio da Uber, desfiles da Intendente Magalhães estão ameaçados

A desistência da Uber em patrocinar o Carnaval do Rio de Janeiro pode causar um dano ainda maior à festa.

Sem os R$ 9,5 milhões que seriam pagos pela empresa, a tradicional estrutura montada na avenida Intendente Magalhães corre risco de não sair.

No local, desfilam 60 escolas que lutam para chegar, um dia, à elite do Carnaval carioca. A Riotur já avisou que não possui verbas para montar o local. Para produzir a festa são necessários banheiros, iluminação, grades de segurança, carros de som e bases para abrigar os jurados.

Apesar da primeira negativa, a Riotur ainda busca novos patrocinadores para tentar arrecadar fundos. Gustavo Barros, presidente da Liga das Escolas de Samba do Brasil (Liesb), afirmou que não deixará as escolas da Intendente na mão.

“Vamos partir para o plano B ou C, vamos correr atrás de patrocínio. Mas o carnaval da Intendente não vai acabar. A Liesb e as escolas não recebiam um centavo desse patrocínio e elas estão lutando para fazer um carnaval digno e bonito. Quero acreditar que a Riotur vai encontrar uma saída”

Gustavo Barros, presidente da Liesb, ao G1

A Liesb cuida apenas da estrutura de produção artística, mas diante da urgência vai tentar buscar empresas que possam garantir o desfile e afirma:

“É lá que acontece o verdadeiro carnaval do povo, gratuito, que este ano teve público de 200 mil pessoas em quatro dias de desfiles. Mesmo que arquibancada menor ou nem tenha, o carnaval da Intendente vai acontecer”

Gustavo Barros, presidente da Liesb, ao G1

Além das escolas da Intendente, a suspensão do dinheiro da Uber representa menos R$ 500 mil nos caixas das escolas do grupo especial. O aplicativo informou que não quer vincular sua imagem a fatores negativos, como a prisão de Chiquinho da Mangueira, presidente da Mangueira, na Lava Jato.

O prefeito Marcelo Crivella criticou duramente membros de escolas de samba ligados à corrupção.

“A Uber ajudou no ano passado e quis sair este ano. Eu busquei patrocínio e as escolas perderam, por razões de gestão, falta de transparência e prisão de seus líderes. Se quisermos fazer parcerias com a iniciativa privada, é importante que o prefeito não cobre pedágio, não exija propina. É preciso ter o princípio que gere uma empresa, um lar, uma casa, que é a honestidade”

Marcelo Crivella, prefeito do Rio