Juninho PE põe em xeque trabalho de jornalistas. ACERJ discorda em nota

Notabilizado por ser um jogador exemplar dentro de campo, Juninho Pernambucano tem se tornado uma figura recorrente quando o assunto é polêmica. O comentarista da TV Globo voltou a elevar o tom da crítica em mais uma participação no ‘Seleção’, do SporTV, nesta segunda-feira, 30 de abril. Desta vez, o arsenal de argumentos mirou em torno dos jornalistas que cobrem o dia a dia dos clubes de futebol.

O assunto surgiu quando o apresentador André Rizek trouxe à mesa a comemoração do meio-campo Diego, do Flamengo. Ao marcar o terceiro gol no jogo contra o Ceará, em Fortaleza, o craque foi até a arquibancada e abraçou torcedores rubro-negros. Juninho reprovou as atitudes e as entrevistas do meia do Flamengo:

“Ele (Diego) teve a oportunidade de defender a classe, mas ele preferiu evitar o conflito… A partir do momento em que ele diz que aceita até andar com segurança, ele deu total liberdade para o torcedor fazer isso com os outros. E aquele jogador que ganha 3 ou 4 mil por mês? Vai pagar segurança como?”, afirmou o comentarista.

Após criticar a conduta de Diego, Juninho disparou contra os jornalistas que cobrem de maneira fixa os clubes brasileiros:

“Os setoristas são muito piores hoje em dia, infelizmente. Eu sei que eles ganham mal, mas cada um tem o caráter que tem. Se eu sou setorista,  o que eu ia fazer: um ótimo trabalho para ir para outra etapa, subir e assim chegar até onde eles (Cléber Machado e Luis Roberto, presentes no programa) chegaram”, afirmou.

A atitude fez com que Rizek lesse uma nota de posicionamento da direção de jornalismo do SporTV na presença do ex-jogador.

“A opinião dos comentaristas, aqui neste programa, e em qualquer programa do SporTV, é sagrada e será sempre respeitada. Mas não reflete necessariamente a opinião do SporTV. Hoje mais cedo, aqui no Seleção, Juninho criticou severamente os repórteres que cobrem o dia a dia dos clubes, que são chamados de setoristas, no jargão jornalístico. O SporTV não concorda com a opinião e nem com a generalização. Há bons e maus profissionais em todas as categorias. Temos mais de 30 setoristas trabalhando hoje no grupo Globo e eles recebem aqui nossa confiança e solidariedade. Muitas vezes são eles quem mais sofrem com o desequilíbrio e eventual violência dos ‘torcedores’, exatamente o alvo inicial da crítica do Juninho. Isso não quer dizer que Juninho não tenha direito a sua opinião, que é e continuará sendo livre. Mas é importante fazer este registro”, disse Rizek em nome da direção de jornalismo.

A Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro, em nota oficial, também discordou da posição de Juninho Pernambucano:

A Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro (ACERJ) discorda veementemente das opiniões emitidas pelo ex-jogador e atual comentarista esportivo Juninho Pernambucano, nas quais critica a atuação de repórteres – sejam eles setoristas ou não – lançando denúncias de suposto envolvimento com dirigentes de clubes, questionando caráter e falando em “prostituição”. Se Juninho tem alguma acusação a fazer, que cite nomes, apresente provas e responda por isso – sem generalizar toda a classe. Este ex-jogador não tem formação jornalística para saber o que é a apuração de uma notícia e não pode tentar enlamear toda a categoria, da qual pretende ser integrante. Juninho ainda reforça seu desconhecimento na área ao tentar tratar o setorismo de clube como condição menor na classe. Reduzir a discussão à diferença salarial entre jogadores e jornalistas é ignorar a capacidade intelectual dos profissionais envolvidos. Se Juninho se expressou mal, que venha a público se explicar. Caso contrário, terá o repúdio dos verdadeiros jornalistas. 

Diretoria da ACERJ