Na garupa com Ricardo Gama: um bate-papo com a cara do rádio jovem no Rio

Por mais de duas décadas, Ricardo Gama marcou uma geração de fãs do rádio carioca.

O locutor aceitou bater um papo com o blog para falar sobre a carreira, programas que marcaram época, o atual momento do rádio e também sobre seu novo trabalho, na Rio FM 102,9 FM. A atração vai ao ar de segunda à sexta-feira, das 11h às 15h.

Entre 1992 e 2014, Ricardo Gama foi a cara e a voz da FM O Dia. Um dos responsáveis pelo sucesso da emissora – estendido até os dias atuais – ele marcou história no segmento jovem na cidade. Por vezes, expandido pelo país, através da internet.

Impossível esquecer de bordões como “É Big Mix, Ô, Mané” e a famosa buzina de moto quando sua vinheta entrava no ar.

Aliás, a paixão por motos se misturou de tal maneira com seu trabalho que Gama se aventurou como colunista da revista “FM O Dia”, assinando o espaço batizado de “Na Garupa com Ricardo Gama”.

Mais tarde, em 2009, o jargão ganhou espaço no Youtube oficial da rádio.

Entretanto, engana-se quem acha que a carreira começou por aí. Ricardo Gama deu o pontapé inicial na RPC FM, que mais tarde foi vendida ao grupo “O Dia”. Anos depois, também esteve na ‘Fanática FM’.

Confira o bate-papo a seguir.

#Audiência: Ricardo, conte-nos o que você tem feito nessa sua nova fase, agora na ‘Rio FM’ e quais são os novos projetos que vêm por aí.

Ricardo Gama: Antes de mais nada, obrigado pelo convite. Essa nova fase da Rio FM, 102,9, é para mim meio que um recomeço de uma história muito bacana, com pessoas que já trabalhei. Um projeto de muito sucesso e eu estou super animado, muito feliz e mergulhado de cabeça, corpo e alma.

#Audiência: Há décadas seu nome é uma marca do rádio carioca, um dos mais reconhecidos, especialmente no rádio jovem, desde os tempos da FM O Dia, onde você ficou muitos anos. Qual o balanço dessa forte relação?

Ricardo Gama: Não só pela rádio, que tem um nome e uma marca muito forte, eu vejo que a minha história é meio que separada. Eu comecei lá na RPC, uma rádio que marcou muito o Rio de Janeiro, e essa minha relação com a locução jovem é que eu tento me reinventar todos os dias. O grande lance para qualquer profissional hoje é você acordar e ter a certeza que você tem que se reinventar todos os dias. Não dá pra ser igual. Tem que estar de olho em tudo o que está acontecendo. As coisas estão acontecendo muito rápido, mudam o tempo todo. Como diria Zeca Pagodinho: “Camarão que dorme, a onda leva” e eu estou ligado o tempo todo no 220.

#Audiência: O rádio tem um público muito fiel. Aquela geração dos anos 90 e 2000 te acompanha até hoje?

Ricardo Gama: Graças a Deus. Eu sempre me surpreendo com as pessoas, com essa galera dos anos 90 e 2000 me seguindo no Facebook, lembrando histórias, na rua. Isso está sempre acontecendo comigo. Vira e mexe eu estou em um lugar, hoje mesmo, por coincidência, encontrei com uma pessoa no metrô, no Centro, no Largo da Carioca, me abraçou, disse que me acompanha desde os tempos da RPC. Um cara mega feliz de ter me encontrado naquele momento. É bom a gente saber que faz parte das pessoas, na história da vida das pessoas. De alguma forma fica marcado isso. Em algum momento, alguma música, alguma coisa que eu falei, que eu inventei, um jargão, de alguma maneira isso ter marcado a vida das pessoas é bem bacana. Fico muito feliz isso. Se eles me ouvem até hoje, é porque estou trabalhando direitinho.

#Audiência: Você participou de um momento de transição do rádio muito bacana, a geração que curtiu o dial e expandiu para a internet, já no final da sua passagem pela FM O Dia. Além disso, também apresentou programas que ditaram moda no Rio e no país, como o “Big Mix”. Como você vê a transição do rádio para era digital?

Ricardo Gama: Encarei com muita naturalidade. Qualquer ferramenta que vem para melhorar a sua maneira de trabalhar é sempre bem-vinda. Eu fui um dos primeiros lá [FM O Dia] a usar o Twitter. Lembro que na época teve muita resistência, as pessoas tinham alguma dúvida, aquelas informações que as pessoas postavam de coisas que estavam acontecendo na rua. E eu ligado naquilo. Eu nem sabia mexer direito no Twitter, mas já estava lá, tinha uma conta e de olho no que as estavam escrevendo. Querendo levar aquilo pro rádio. Eu nunca tive dificuldade de lidar com o novo. O novo faz parte. A gente tem que estar aberto a todo tipo de novidade e tudo aquilo que vem para mover a gente para frente. Com relação aos programas, uma geração que curtiu o ‘Big Mix’, depois o ‘Baile do Denis’ e agora mais uma rádio começando comigo, a Rio FM.

#Audiência: A crise vem atingindo o rádio carioca de forma muito forte. Como você avalia esse atual momento… Há uma descrença por parte de alguns “entendedores” do meio sobre a dificuldade do rádio neste atual cenário tecnológico. O público jovem ainda gosta de rádio?

Ricardo Gama: Vamos separar primeiro as coisas. Existe uma turma pessimista que adora dizer que o rádio vai acabar. Então, separa essa turma. Esse pessoal tem este discurso desde o surgimento do primeiro MP3. Com o MP3 o rádio acabou. Antes, veio o CD, e o rádio também ia acabar. Depois veio o iPod, o iPad, e toda vez que aparece alguma coisa nova, o rádio vai acabar. Isso aí você coloca na conta dos pessimistas e naquela galera que adoraria estar no lugar da gente e não está. Como não estão, ficam tacando pedra e falando mal. Esquece isso. Todo veículo, a televisão também, quando surge alguma coisa nova é normal que isso aconteça. O jovem hoje, realmente está mais ligado no “Spotfiy”, pode ser. Mas o rádio sempre vai ter o lugar dele.

#Audiência: Então convida o público a te conferir nas plataformas disponíveis, o espaço é todo seu.

Ricardo Gama: Venham curtir a Rio FM 102,9 FM, que toca o Rio, grande novidade no Rio de Janeiro em 2018. Uma rádio com uma proposta sensacional. A gente tá só começando. Tem uma semana que a gente está no ar e muita coisa boa vindo. São vários projetos. Eu participei desde o início de tudo que está por vir. Faço um convite a você que ainda não ouviu, que ouça. Participe. Acompanhe a gente nas redes sociais. Site da rádio é fácil: www.rio.fm . As redes sociais Rio FM 102, 9. Cola com a gente. Grande beijo do Ricardo Gama.

Imagem: Ricardo Gama