Robson Aldir fala da estreia do ‘Zap Samba Bola’ no ‘SRzd’

O portal SRzd anunciou na última quarta-feira, 21, o lançamento de sua equipe de rádio, com jornadas esportivas e, como tradição do veículo, abordará também o Carnaval.

Com 27 anos de carreira e passagens por grandes veículos de comunicação, a mais marcante na Rádio Globo, o jornalista Robson Aldir é um dos elementos que vão compor a web rádio. Ele fará a ponte entre as transmissões esportivas, falando de bola e também do samba.

Aldir conversou com o blog e explica como será o “Zap Samba Bola”, seu novo programa no SRzd, que estreia na próxima quarta-feira, 28, antes da partida entre Flamengo x River Plate.

Além disso, também falou sobre o atual momento do rádio e de sua experiência na TV Globo.

#Audiência: Após três anos longe do rádio carioca, conte-nos como será essa novidade, agora na web rádio SRzd.

Robson Aldir: A experiência está sendo a melhor possível. Porque é um ambiente digital, ambiente de interação, é um caminho do conteúdo informativo. As velhas plataformas estão sofrendo muitas alterações. Estão perdendo vínculo com a população. O velho aparelho de TV, o velho aparelho de rádio, o jornal impresso, o papel jornal. Isto tudo está perdendo vínculo com a população, que está buscando conteúdo, informação. Buscando estar antenado com o mundo, porém em novas plataformas, as chamadas digitais. O rádio está caminhando para isso e essa proposta do SRzd, ser a primeira proposta de ter uma equipe de web rádio, reforçando o que já existe no mercado. Já existe uma luta grande de gente que vem trabalhando no meio e que agora chega uma equipe com estrada grande  no segmento para reforçar ainda mais o ambiente digital. Isso está sendo uma oportunidade muito interessante e está me fascinando muito. É um campo que estamos começando a explorar, que nos proporciona um ambiente vastíssimo, e eu estou muito feliz com isso.

#Audiência: E tem muita diferença entre fazer o rádio tradicional e a web rádio?

Robson Aldir: Claro que sim. Total diferença, porque o público que nos acompanha está ali do nosso lado, na cara da gente o tempo todo. Com o rádio tradicional isso não era possível. Você tinha meios de interação, mas eram meios que ficavam distantes do apresentador: o telefone, a carta, esta chegava só dois, três dias depois. Em muitos casos, muito mais tempo depois, cinco dias depois, uma semana depois. E no telefone, o comunicador não tinha como atendê-lo estando no microfone. Dependia de um produtor. O produtor escrevia o que o ouvinte estava falando e só depois chegava na mão do apresentador. Este processo, às vezes, não era tão simples quanto possa parecer. Escrever um recado de papel e entregar para o comunicador que está na mesa. Em uma operação de rádio isto não é tão simples assim. Com meio web, isso tudo muda, definitivamente. Você está com microfone e com as pessoas na sua frente. Mandando informação, sugestão, criticando, elogiando, trazendo um detalhe a mais que você está conduzindo ali. Ou de um comentário, uma entrevista, ou de alguma ação no microfone, e a pessoa te lembra de um detalhe importante que estava escapando. Isso é na hora e é fundamental. Ou seja, com ambiente web os ouvintes fazem o programa junto com o apresentador. Eles não são mais meros espectadores. Eles são partícipes. A cumplicidade que já era antiga no rádio se aprofunda ainda mais com essa característica. Por isso que o web rádio tem a tendência gigante de crescer absurdamente.

#Audiência: Robson, você sempre foi muito ligado ao jornalismo de rua, no Amarelinho da Globo, e também à música, especialmente ao Carnaval. Já batia aquela bola com a equipe de esportes, porém sempre trazendo o noticiário da cidade. Como será essa ponte entre o Carnaval e o futebol no portal SRzd?

Robson Aldir: É uma função estratégica que o Sidney [Rezende] elaborou e me convidou para cumprir. Inclusive para chegar até o meu nome eu fiquei sabendo houve um debate intenso internamente. Pelo seguinte, o Sidney [Rezende] vem apostando muito na cobertura cotidiana do Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo. O noticiário, os personagens, os bastidores, a preparação da festa, a própria festa. Enfim, ele já está há 12 anos e conseguiu um importante espaço neste campo. Já virou uma referência no segmento Carnaval cultural. O prêmio que ele [Sidney Rezende, pelo SRzd] concede aos artistas do Carnaval é cobiçadíssimo. Para mim hoje é o segundo prêmio mais importante, depois do Estandarte de Ouro [Jornal O Globo]. Claro, o prêmio maior é o título do Carnaval. E essa importância do prêmio é pela relevância do trabalho do SRzd, pela envergadura que ele, Sidney Rezende, tem. O mundo do samba respondeu positivamente à entrada do SRzd no segmento Carnaval. Isso acabou gerando uma relação muito forte entre a marca Sidney Rezende e os personagens do Carnaval. Então, ele [Sidney Rezende] criou esse ambiente, muito importante no site SRzd. É um público relevante. O portal tem várias outras editorias, mas a mais popular de todas é a editoria de Carnaval. Quando ele pensou fazer a web rádio usando a transmissão esportiva, veja bem, o Sidney [Rezende] é um dos grandes nomes do rádio. Um âncora de mão cheia, profissional completíssimo. Ele ainda não tem um programa na rádio dele, porque ele [Sidney Rezende] está focando na consolidação do negócio. Não está focando a carreira pessoal dele e sim focando na questão empresarial, no investimento que está sendo feito. Começa com a equipe esportiva, o carro-chefe de toda transmissão. Surgiu o debate de como fazer a transição do público do Carnaval para consumir a transmissão esportiva desta web rádio. Pensou-se nesta fórmula, que seria um programa fazendo a sala de visitas do futebol, um programa pré-jornada esportivo, com os personagens do Carnaval, falando da festa, recebendo os artistas do Carnaval, porém já inseridos dentro do futebol. Ou seja, conversar, por exemplo, com o Sidcley, mestre-sala do Salgueiro, sobre o time de coração dele, qual a relação dele com o futebol. Não falar só de Carnaval. Focar especialmente com esse pessoal a paixão, a relação com o futebol. Aí chegou-se a conclusão do meu nome para fazer esse intercâmbio, ou seja, uma função estratégica dentro dessa proposta. Nós vamos fazer o programa ‘Zap Samba Bola’, Zap porque está num ambiente de interação, e o Samba Bola que é unindo o samba ao futebol. Criar um ambiente e entregar a para a transmissão em alta audiência para o pessoal do esporte. Essa será minha função.

#Audiência: Como é que você avalia esse atual momento do rádio, especificamente no Rio de Janeiro?

Robson Aldir: Horrível. Inclusive a notícia da aposta do Sidney Rezende no rádio é a melhor notícia, talvez, a única boa notícia que o rádio tenha vivido nos últimos cinco anos, no mínimo. Se bobear nos últimos dez. O rádio só vem colhendo notícias ruins. Precisou vir o Sidney Rezende anunciar essa nova equipe para dar um sopro de esperança no segmento aqui no Rio de Janeiro. Porque o rádio foi muito sacrificado. Claro, têm a crise no país, a crise na transição da plataforma. Isso é no mundo todo. No caso da crise financeira, no Brasil todo e a crise da mídia, no mundo todo. Alinhado a tudo isso, que já são dois obstáculos extremamente severos, tem a profunda má gestão das rádios no Rio de Janeiro. Não fosse isso, as rádios de São Paulo, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, do Nordeste, do Centro-Oeste, teriam que estar passando pelo mesmo grau de crises que as rádios do Rio estão passando. Apesar de toda dificuldade, a Jovem Pan, as rádios de São Paulo, estão lá em pé, estão ativas, com aperto aqui, aperto ali, mas avançando. A Rádio Gaúcha, no Rio Grande do Sul, a Rádio Itatiaia, em Minas Gerais, as rádios de Brasília, de Goiás, enfim, todas caminhando. As do Rio sucumbiram. A maior rádio do país, com sede no Rio de Janeiro, desaparecer do jeito que está desaparecendo, a Rádio Globo. A Tupi vivendo uma insolvência, quando ficou 2 meses fora do ar [em 2017, durante greve de funcionários], por não ter condições financeiras de manter equipe, devendo salário e FGTS. Uma situação catastrófica. Os atuais funcionários vivendo graças à publicidade de um comunicador ou outro. Não é a rádio que faz os pagamentos. Sem vínculos, uma situação terrível. Também estamos vendo o desaparecimento de várias rádios como a MPB FM, a Bradesco Esportes, a Mania FM, a Paradiso. Um cenário impressionante. Não se vê isso no resto do Brasil. Só aqui no Rio de Janeiro com esse grau de profundidade. Cenário terrível e aí vem esse sopro de esperança, o Sidney [Rezende] apostando no rádio. Poxa, realmente é de estimular.

#Audiência: Sobre sua experiência na TV Globo, no ano de 2017, conte-nos como foi esse período.

Robson Aldir: Eu fui chamado para fazer a coordenação do Carnaval no lugar do Manoel Alves, que está sofrendo com problemas de saúde. Foi uma experiência muito interessante. Só não teve continuidade por conta da crise no país. A TV Globo também está em crise. Tem a crise da mídia, também atacando a TV. O setor que havia sido montado para cuidar dos grandes eventos, como Carnaval, Réveillon, Copa do Mundo, Olimpíada, Rock In Rio, Eleições, esse segmento ele foi extinto. E nessa eu acabei saindo. Não só eu como outros profissionais. Uma pena. Essa experiência me deu uma profundidade de TV, coisa que ainda não tinha. Eu dediquei muito da minha carreira ao rádio. Tive experiências em mídia impressa, fui editor do jornal ‘Serramar’, com circulação no interior do estado do Rio de Janeiro, mas em TV eu não havia tido experiência. E passei a entender mais do profissionalismo que a mídia precisa ter. Na TV, o nível de profissionalismo é muito grande. Eu não tinha essa noção. O rádio, ele é mais parceiro, mais cúmplice do ouvinte, do consumidor. Na TV a relação é de profissionalismo extremo. Só entra no ar programa que dá audiência, só entra no ar programa que faz dinheiro. Pode ser a coisa mais sensacional do mundo, mas se não tiver quem pague a conta, não vai ao ar. E eu não tinha essa noção na rádio, que não é bem assim. No rádio, o comunicador com mais carisma, mesmo que não tenha patrocinador, ele é interessante, já que gera audiência. Na TV não. A TV é muito cara. Por isso são necessárioss dois elementos: carisma e financeiro. Se não, não vai ao ar.

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Robson Aldir na redação do Jornal Nacional no Jardim Botânico, em 2017. (Arquivo Pessoal)

#Audiência: Robson, então explica e convida nossos amigos internautas a conferir o ‘Zap Samba Bola’, na web rádio SRzd. Como faz para acessar essa nova plataforma?

Robson Aldir: Amigo internauta, quero te convidar a curtir a nova rádio, o novo ambiente, novo produto que está chegando para você ouvinte, apaixonado pelo rádio. Para acessar a web rádio SRzd basta acessar o site do Sidney Rezende [clique aqui] e logo na página principal estará o link da web rádio e clicando já passa a ouvir. Será uma programação de rádio, como outra qualquer, porém no ambiente web. A diferença é que em vez de ouvir na latinha, na caixinha, você vai ouvir no seu computador, no seu ‘smartphone’, no seu celular, pelo meio digital. É uma programação focada no samba, eu farei a interação entre o povo do samba e o futebol. Depois vem a jornada esportiva, quando tiver o futebol. E depois vem essa equipe maravilhosa com Evaldo José [narrador], Antonio Carlos Duarte [comentarista] e Felipe Costa [repórter]. Convido você a experimentar essa iniciativa, algo novo, apesar destes profissionais já com experiência, num ambiente diferente que nós atuamos durante anos. Conto com sua audiência, estreamos dia 28 de fevereiro, antes de Flamengo e River Plate, entre às 20h30 e 21h. Vamos fazer uma grande transmissão. Conto com a audiência de todos vocês.

Imagens: Foto 1 Leandro Milton – divulgação SRzd // Foto 2 Arquivo Pessoal – Robson Aldir